Danças e Cantares
Fundação e Origem
Em novembro de 1978, por iniciativa de alguns constantinenses, reúnem-se vontades espontâneas e levaram à prática um desejo latente, que já há algum tempo fervilhava na mente dessas pessoas.
Estava criado o embrião do que foi logo apelidado de “Grupo de Danças e Cantares”.
A nossa aldeia insere-se numa zona com algum peso de ruralidade, com vinha, pomares, variados produtos hortícolas e, noutros tempos, uma produção acentuada de cereais, produtos destinados ao consumo do agregado familiar e venda da parte restante.
O grupo reflete um pouco este modo de vivência resgatado às raízes profundas do seu torrão natal.
O grupo manteve-se sempre em atividade, exceto no período compreendido entre setembro de 1995 e outubro de 2004.
Recolha das Danças
A recolha das formas de dançar em grupo, foi realizada na nossa aldeia e em localidades vizinhas. Muitas pessoas idosas colaboraram, mostrando, recordando ou exemplificando as danças que executavam na juventude.
Estas danças realizavam-se nos terreiros da aldeia ou no adro da igreja, espaços amplos onde, aos domingos e dias festivos, a juventude se reunia após a lida diária, celebrando o convívio comunitário.
O trabalho de recolha permitiu registar danças primitivas e tradicionais que, depois de estudadas e ensaiadas, passaram a integrar o repertório oficial do grupo.
Recolha dos Cantares / Música
As letras e melodias que compõem o acervo musical do grupo foram recolhidas junto de pessoas idosas, muitas delas já com memória fragmentada das palavras ou dos ritmos.
Através de testemunhos preciosos — fragmentos, refrões, expressões e recordações — foi possível reconstruir cantigas que, de outro modo, se teriam perdido para sempre.
As mulheres, no trabalho doméstico, no cultivo e tratamento do linho, nas idas às ribeiras e nos afazeres agrícolas, entoavam cantos de lamento, saudade, alegria e força.
Esse património imaterial foi trazido para os ensaios, preservando-se assim um traço essencial da identidade cultural da aldeia.
Recolha dos Trajes
A recolha dos trajes tradicionais foi realizada junto de pessoas idosas, que disponibilizaram as roupas que usavam no quotidiano e em ocasiões especiais.
Também ofereceram peças mais antigas, pertencentes a pais e avós, religiosamente guardadas nas velhas arcas de madeira.
Foram igualmente analisadas fotografias antigas, já desbotadas pelo tempo, mas onde se reconhecia a forma de vestir e de cobrir a cabeça, tanto de homens como de mulheres.
Por se tratar de uma região rural pobre, predominavam trajes de linho e de chita — tecidos acessíveis e duradouros, cuidadosamente preservados ao longo das gerações.
Existiam também trajes de gala, usados por pessoas mais abastadas, sobretudo aos domingos e em dias festivos.
Instrumentos Musicais
A música que acompanhava as danças era, inicialmente, executada com harmónicas de boca (gaitas-de-beiços), que animavam o povo e davam vida aos encontros comunitários.
Com o passar dos anos, surgiram a concertina, o acordeão e diversos instrumentos de percussão — como triângulos, pandeiretas e bonés — enriquecendo a sonoridade sem nunca afastar o carácter ancestral que define a tradição local.
Actuações
Ao longo dos anos, o grupo realizou inúmeras atuações em festas populares, eventos concelhios, encontros culturais e celebrações de norte a sul do país.
Participou em festividades locais, partilhou o seu trabalho de recolha e foi sempre recebido com carinho pelas diversas comunidades que visitou.
Estes momentos permitiram divulgar o património cultural de Constantim e reforçar a ligação afetiva entre gerações.
Objectivos
O grupo tem como missão preservar, divulgar e dignificar o património imaterial da aldeia de Constantim — danças, cantares, tradições, trajes e instrumentos — constituindo um espólio rico, diversificado e profundamente ligado à identidade local.
Pretende-se que estas memórias culturais continuem vivas, salvaguardadas e respeitadas, para que as gerações futuras possam conhecer, aprender e valorizar a essência das tradições ancestrais da aldeia.
Nota Final
Este é um trabalho em permanente construção.
Qualquer contributo, sugestão ou recolha adicional será sempre bem-vinda, desde que feita com espírito comunitário e com o objetivo de engrandecer o grupo.
O Grupo de Danças e Cantares da A.D.C. Constantim existe para enriquecer, preservar e transmitir a herança cultural das gentes de Constantim e das localidades vizinhas.
Texto elaborado por Abel Ferreira, a quem a ADC Constantim agradece o contributo para a preservação da memória e identidade cultural da nossa aldeia.
